TOP 50 de discos de 2012 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 21st, 2012

#01. Fiona Apple
(The Idler Wheel…)

Foram necessários sete anos para Fiona Apple voltar com o sucessor de Extrarodinary Machine. Com a espera, veio uma obra prima distinta de seus lançamentos anteriores. Em melodias minimalistas, carregadas pelo piano e influenciadas pelo jazz, a artista revela seus medos, desilusões, fracassos amorosos (“Jonathan”) de forma visceral e sem colocar-se no papel de vítima, por exemplo quando assume que teme a solidão em “Left Alone” e rasga-se ao cantar “How can I ask anyone to love me when all I do is beg to be left alone”.

Na frágil “Every Single Night”, com sua sonoridade de caixinha de música, ou na paranóia amorosa de “Werewolf” (com sua revolução nos gritos de um grupo de crianças no final da canção e frases como “nothing wrong when a song ends in the minor key”), Apple revela o peso de seus conflitos com uma aversão controlada e que explode em fúria em “Regret” com sua atmosfera sombria de “Something I Can Never Have” do Nine Inch Nails.

Grande parte do trabalho flerta com peças do jazz na companhia do percussionista Charley Drayton. O ápice de exaltação é em “Hot Knife”, um dueto vertiginoso com a cantora (e irmã) Maude Maggart, com seu clima “cabaret tribal” e que finaliza com os vocais a cappela.

The Idler Wheel… é uma neurose emocional do início ao fim, na qual Fiona diz em umas das faixas “I want to feel everything”, mas nós também estamos sentindo por ela.

Dica de download: “Hot Knife” (), “Werewolf” () e “Daredevil” ()

#02. Frank Ocean
(Channel Orange)

Depois de sua mixtape Nostalgia, Ultra, era hora de Frank Ocean lançar o seu primeiro registro oficial. Como um moderno Stevie Wonder (“Sweet Life” / “Fertilizer”) com o jogo sedutor de Marvin Gaye, o músico entrega um clássico de bandeja. Suas canções de amor são regadas de emoção em seus falsetes (“Thinkin’ ‘Bout You”) e riqueza sentimental em suas histórias como quando canta “I could never make him love me” na gospel “Bad Religion” encenando uma conversa com um taxista que poderia ser interpretada por Jeff Buckley. A mente de Ocean não descansa ao trazer à tona seus contos, revelações espirituais, abuso de drogas, lares desestruturados (“Crack Rock”) e cotidiano como um J.D. Salinger do R&B contemporâneo.

Dica de download: “Thinkin’ ‘Bout You” (), “Pyramids” () e “Crack Rock” ()

#03. Grimes
(Visions)

Claire Boucher (a.k.a. Grimes) é uma Enya no ácido com traços de Minnie Riperton. Com suas esquisitices sonoras, inclinadas ao eletropop, Visions é uma aventura sônica através do pop futurista. A voz doce e acrobática de Boucher flutua entre as melodias de loops hipnóticos (“Oblivion”), texturas digitais (“Skin”) que flertam com a música dance (“Be a Body”) e a pop (“Colour of Moonlight (Antiochus)” tem a batida infectuosa de “When Doves Cry” de Prince). O resultado é um trabalho conceitual e sobrenatural através do olhar “cyberpop” da garota.

Dica de download: “Circumambient” (), “Oblivion” () e “Genesis” ()

#04. Jack White
(Blunderbuss)

Depois de tomar frente do The White Stripes, dividir atenções no The Raconteurs e no The Dead Weather, produzir discos de outros artistas e lançar o seu próprio selo, Jack White assume sua identidade em Blunderbuss. Com seu toque de Midas, abusa de todas as experiências sonoras ao longo dos anos para uma compilação própria de todo o aprendizado – como, por exemplo, o climão anos 50 de “Trash Tongue Talker” e “I’m Shakin’” (um cover de Little Willie Johnson) que remetem à produção do disco de Wanda Jackson – e a forma em que moldou o rock em sua carreira (“Sixteen Saltines”). Estabelecendo um conjunto de sonoridades familiares, White apresenta suas melhores canções quando aborda sua relação com o amor e as mulheres. “I won’t let love disrupt, corrupt or interrupt me anymore” como canta em “Love Interruption”, uma carta aberta para sua ex-mulher, a modelo/cantora Karen Elson. Em carreira solo, o músico garante um rock extraordinário, assim como tudo que toca.

Dica de download: “I’m Shakin’” (), “Love Interruption” () e “Hip (Eponymous) Poor Boy” ()

#05. Sharon Van Etten
(Tramp)

O folk pop de Sharon Van Etten é do tipo que carrega todos os problemas do mundo em suas melodias frágeis conduzidas essencialmente por guitarras acústicas. Com a produção cuidadosa de Aaron Dessner (do The National), as melodias leves e tranquilas permitem a cantora explorar suas angústias (“Serpent”) e anseios (“Give Out”) sob uma perspectiva negativa e no peso do seu vocal sem perder a elegância e a sensualidade (“Magic Chords”). O equilíbrio emocional de Tramp encontra-se em “We Are Fine”, uma parceria com Zach Condon do Beirut, em que um casal apenas encontra-se “bem”. Com suas revelações carregadas de aflições, Van Etten cria um álbum simples e denso.

Dica de download: “Warsaw” (), “Serpents” () e “We Are Fine” ()

#06. The Mynabirds
(Generals)

No segundo disco do The Mynabirds, projeto de Laura Burhenn, as melodias são irresístiveis com sua fórmula contagiante de percussões vibrantes num universo em que Florence (and the Machine) Welch soaria mais controlada. Suas composições misteriosas (“Karma Debt”) e calorosas (“Generals”) exalam instrumentações extasiantes como uma PJ Harvey militarista (“Wolf Mother”). Generals foca-se numa proposta política que nos resta dançar e pensar que a revolução está por vir em cada uma de suas composições.

Dica de download: “Body of Work” (), “Generals” () e “Wolf Mother” ()

#07. Alt-J
(An Awesome Wave)

O debut An Awesome Wave do quarteto Alt-J (ou ∆) é uma combinação calculada de rock, indie, folk e trip hop para produzir um som autêntico. Há fases em que soam como se o Fleet Foxes (“Fitzpleasure”) estivesse numa excursão por cenários urbanos e violentos e outros que estão pela fase eletrônica do Radiohead (como na cósmica “Something Good”). Suas canções, sempre conduzidas pela voz sossegada de Joe Newman, são melodias contrastantes de serenidade (“Matilda”) e intensidade (“Breezeblocks”). Carregam um poder de mudança frequente, como se estivessemos alternando estações de rádio e captando a essência principal de um universo radiofônico.

Dica de download: “Tessellate” (), “Dissolve Me” () e “Breezeblocks” ()

#08. Jessie Ware
(Devotion)

Jessie Ware (conhecida por seus vocais nos trabalhos de produtores como o SBTRK) lança a sua estreia Devotion garantindo-se como uma poderosa sucessora de Sade. Explorando sensualidade e sonoridades artísticas influências pelo minimalismo eletrônico de James Blake, o R&B e o pop, com a natureza dos trabalhos de Annie Lennox e Lisa Stansfield no auge dos anos 80. Ware deixa de ser uma artista convidada para dar um passo gigantesco à sua própria carreira.

Dica de download: “Wildest Moments” (), “Night Light” () e “Sweet Talk” ()

#09. Cat Power
(Sun)

Se as melhores canções nascem de momentos turbulentos da vida, Cat Power está de volta ao topo com Sun. Depois de contar com músicos lendários de Memphis em The Greatest (2006) e lançar um coletânea de covers em Jukebox (2008), o fim de um relacionamento fez Chan Marshall refletir seus últimos álbuns e procurar um novo caminho para seguir sozinha – desde a produção a tocar os instrumentos – neste disco. O resultado é um pop seguro em que questiona morte versus relacionamento (em “Cherokee”) e culpa (“Peace and Love”), sem perder a confiança em sua eletrônica delicada e urgente (“Silent Machine”). São melodias cativantes, mas que ainda representam feridas abertas (“Ruin”).

Dica de download: “3,6,9″ (), “Cherokee” () e “Ruin” ()

#10. Lana Del Rey
(Born to Die)

A Internet descobriu Lana Del Rey e gongou-a durante 2012. Se nos anos 80 tínhamos “Video Killed the Radio Star” podemos reformular a canção do The Buggles para “Internet Killed the Video Star”. Independente das acusações – algumas extremamente desnecessárias – culpe a Internet pela ascensão rápida da artista. Apesar do fardo, a garota tem um disco de estreia espetacular em suas mãos. Born to Die é trilha reformulada de clássicos de Hollywood, femme fatales de corações partidos e seduzidas por garotos ao estilo James Dean (“Blue Jeans”) e reduzidas a objetos sexuais (“Video Games”). Com sua sonoridade elegante, um híbrido de Portishead com o toque clássico de Nancy Sinatra, Del Rey pode não ter presença de palco ou ser a ‘cover girl’ perfeita, mas seu disco é um sustento para uma lacuna que o pop desejava e necessitava. Um buzz “fale mal, mas fale de mim” que continua dando certo e ainda vai render.

Dica de download: “Radio” (), “Summertime Sadness” () e “Blue Jeans” ()

TOP 50 de discos de 2012 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 20th, 2012

#11. Kendrick Lamar
(Good Kid, M.A.A.D City)

Kendrick Lamar revela em tom biográfico sua adolescência nos subúrbios californianos em Good Kid, M.A.A.D City (My Angry Adolescence Divided), sua estreia oficial. Com diálogos cinematográficos de familiares ao longo das faixas, Lamar retoma o hip hop dos anos 90 (“Money Trees”) para pautar sua breve trajetória existencial em narrativas sobre violência (“The Art of Peer Pressure”), abuso de drogas (“Swimming Pools”) e estados paranóicos numa liguagem suja e direta (como em “Sherane a.k.a. Master Splinter’s Daughter” em que vai ao encontro de uma garota da escola e diz “nothing but pussy stuck on my mental”). Nasce um sucessor para André 3000 (“Bitch, Don’t Kill My Vibe” / “Sing About Me, I’m Dying of Thirst”) na música urbana.

Dica de download: “Bitch, Don’t Kill My Vibe” ()

#12. Tame Impala
(Lonerism)

Neste segundo registro do Tame Impala, a psicodelia e o groove dos australianos são impulsionados por sonoridades de Pet Sounds, Dark Side of the Moon e White Album ao optar por soltar faíscas em seus sintetizadores e controlar suas guitarras para desbravar dimensões imaginárias. Entre composições explosivas (“Apocalypse Dreams”), serenatas ao piano (“Sun’s Coming Up”) e manifestos sentimentais (“Feels Like We Only Go Backwards”) é a produção cercada de beleza extra-sensorial que se manifesta.

Dica de download: “Elephant” ()

#13. Django Django
(Django Django)

O rock ‘folktronic’ e psicodélico do Django Django inicia sua jornada no western spaghetti “Introduction”. No entanto, indica sua essência e direcionamento nas batidas tribais e eletrônicas de “Hail Bop”. Com certa originalidade e influências de bandas inglesas, o trabalho sobrevive e se sobressai (“Default”) como se o Hot Chip fosse uma banda de rock.

Dica de download: “Default” ()

#14. Ladyhawke
(Anxiety)

A neozelandesa Pip Brown (a.k.a. Ladyhawke) deixa de lado os sintetizadores, teclados e estética oitentista que a consagraram com o hit “Paris is Burning” em seu álbum de estreia e procura referências roqueiras dos anos 90 como Garbage, Elastica e Blur. O mérito em Anxiety está na veia rock pop contagiante (“Vaccine” / “Blue Eyes”) e seus refrões clichetes carregados de “ha ha has” e “yeah yeah yeahs” (“Vanity”) permitindo a Brown dar uma reciclada no seu (breve e exigido) currículo.

Dica de download: “Blue Eyes” ()

#15. Beach House
(Bloom)

O dream pop do Beach House mantém sua consistência melodramática em Bloom garantindo o nível dos seus antecessores. O pop nebuloso (“Wild”), as sonoridades lúdicas (“Other People”) e a voz aveludada de Victoria Legrand estão todos ali. Respeitam a estética sonora quase que de forma obsessiva para aprimorar sua complexa sofisticação, não fugir do selo de qualidade da dupla e seguir encantando com seus pequenos feitiços sonoros.

Dica de download: “Myth” ()

#16. Miguel
(Kaleidoscope Dream)

Miguel apoia-se no pop atual (“Don’t Look Back” com os samples de “Time of the Season” do Zombies), territórios sonoros que remetem à melancolia do The Weeknd (na sensual “Use Me”) e influências sedutoras de Prince / Marvin Gaye (“Adorn”) para revelar sua série de desencontros amorosos – sexo e infelidadade – em seu R&B contemporâneo neste segundo registro de estúdio. Vale destacar a participação de Alicia Keys em “Where’s the Fun in Forever”.

Dica de download: “Adorn” ()

#17. Spiritualized
(Sweet Heart Sweet Light)

O space rock do Spiritualized desenha em Sweet Heart Sweet Light perfeccionismo. Na leveza das cordas da banda islandesa Amiina (que tem o Sigur Rós no currículo), no soul gospel (“Too Late”) e na receita britpop (nos dois momentos de “Hey Jane” / “Little Girl”), o líder Jason Pierce encontra superação para os problemas de saúde que o afetaram nos últimos anos nesta redenção musical (“sometimes I wish that I was dead, because only living can feel the pain”).

Dica de download: “Headin’ for the Top Now” ()

#18. Japandroids
(Celebration Rock)

O rock acelerado do Japandroids, de guitarras heróicas e percussão impaciente, separa uma seleção de melodias impactantes (“Younger Us”) em seu segundo registro de estúdio. Sem deixar o seu ouvinte tomar fôlego ao longo dos 35 minutos do disco, o duo apresenta em seu diário musical: longas noites de bebedeira, suas idas e vindas ao longo de suas turnês e momentos nostálgicos.

Dica de download: “The House That Heaven Built” ()

#19. Grizzly Bear
(Shields)

Shields é um trabalho de fácil assimilação do Grizzly Bear, os criadores de Veckatimest, e poderia facilmente tirar a banda de seu status indie. É o universo abstrato do grupo de forma mais acessível (“Yet Again”), mas sem desarmar-se completamente (“Speak In Rounds”) dos trabalhos anteriores e apelar para a já famigerada “Two Weeks” ao desvendar suas desilusões e conflitos. Até porque as construções sonoras e texturas transcendentais do quarteto mantém-se em cada uma das composições.

Dica de download: “Gun-Shy” ()

#20. Alabama Shakes
(Boys & Girls)

O Alabama Shakes recupera substâncias do rock dos anos 60 e 70 para dar vida ao seu trabalho de estreia e reciclar sonoridades (“You Ain’t Alone” / “Heartbreaker”) nas guitarras magistrais / afiadas (“Hang Loose”) e no vocal de Brittany Howard (um encontro de Janis Joplin e Aretha Franklin). As composições soam como se tivessem renascido de uma pilha esquecida de compactos antigos com o toque moderno do The Black Keys e de Jack White.

Dica de download: “I Found You” ()

TOP 50 de discos de 2012 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 19th, 2012

#21. Chairlift
(Something)

O duo (ex-trio) Chairlift supera o hit “Bruises”, da estreia Does You Inspire You, com o lançamento do superior Something e tirando-os do limbo de projeto ‘one hit wonder’. Com suas colagens eletropop, a proposta retrô-futurista contém momentos radiofônicos (“Amanaemonesia”), baladas triunfantes (“Met Before”) e a euforia das trilhas sonoras dos anos 80 (“I Belong In Your Arms”).

Dica de download: “I Belong in Your Arms” ()

#22. Sleigh Bells
(Reign of Terror)

Em seu segundo trabalho, o duo noise pop do Sleigh Bells segue com suas composições revolucionárias que poderiam estusiasmar grandes estádios (“Demons” / “Crush”) equilibrando comoção na doçura vocal de Alexis Krauss (“You Lost Me”) e nas guitarras expansivas e explosivas de Derek Miller (“Leader of the Pack”). A revolução sonora continua em Reign of Terror.

Dica de download: “You Lost Me” ()

#23. Bat For Lashes
(The Haunted Man)

O pop místico e teatral de Natasha Khan (a.k.a. Bat for Lashes) manifesta o seu lado sombrio em ’suas personagens’ amarguradas (“Marilyn” / “Laura”) num labirinto de emoções para desnudar-se de forma honesta (“Lillies”) como a capa do disco. Khan trafega pelo experimentalismo em seus arranjos grandiosos (“Winter Fields”) e bases eletrônicas (“All Your Gold”) sem perder autenticidade e genialidade.

Dica de download: “Winter Fields” ()

#24. Passion Pit
(Gossamer)

Os sintetizadores emotivos e falsetes de Michael Angelakos ainda são a grande atração do eletropop entusiasta do Passion Pit em seu segundo registro de estúdio. Percorrendo pelo R&B, “Constant Conversations” para acompanhar estalando os dedos, e efervescendo em melodias alucinógenas (“I’ll Be Alright”), o grupo garante uma grande festa de cores conflitando alegria e tristeza em suas composições.

Dica de download: “I’ll Be Alright” ()

#25. David Byrne & St. Vincent
(Love This Giant)

O casamento de David Byrne e Annie Clark (a.k.a. St. Vincent) em Love This Giant reúne um conjunto de composições escritas pela dupla e influenciadas pelos grupos de New Orleans (nos imponentes instrumentos de sopro), corais clássicos, R&B e funk. A confiança nos reinventos desta união é uma evolução para ambos artistas.

Dica de download: “I Should Watch T.V.” ()

#26. The Maccabees
(Given to the Wild)

A produção de Tim Goldsworthy (LCD Soundsystem e Massive Attack) é o segredo de Given to the Wild mudar o câmbio na sonoridade dos britânicos do The Maccabees depois de Wall of Arms. O disco balanceia sofisticação e maturidade, proporcionando espaço para o grupo desvendar novos terrenos no dream pop em busca de unicidade. São melodias que começam calmas e revelam suas essenciais e imponência sonora ao longo da execução.

Dica de download: “Pelican” ()

#27. Dirty Projectors
(Swing Lo Magellan)

O pop experimental de harmonias vocais (“Gun Has No Trigger”) do Dirty Projectors segue com suas estranhezas em Swing Lo Magellan, mas com uma identidade mais acessível (“The Socialites”) do que seus antecessores. A “complexidade” do grupo foca-se em canções prontas para fornecer um novo conceito/proposta. E se para os ouvintes isso é “simplicidade”, para os integrantes é um desafio de desconstrução musical.

Dica de download: “About to Die” ()

#28. The Shins
(Port of Morrow)

O produtor Greg Kurstin (do projeto The Bird and the Bee) ilumina o caminho do The Shins para rumos mais populares e menos empíricos do que o álbum Wincing the Night Away (2007). Port of Morrow é uma peça radiofônica amigável que joga com o folk (“40 Mark Strasse”), melodias funkeadas, nostálgicas (“Bait and Switch”) e a leve pompa do rock. Além disso, o trabalho permite ao líder James Mercer explorar novos territórios em suas letras sobre paternidade (“Fall of ‘82″) e engajamento político (“No Way Down”).

Dica de download: “No Way Down” ()

#29. Tanlines
(Mixed Emotions)

O Tanlines, duo eletro pop do Brooklyn formado por Eric Emm (vocal / guitarra) e Jesse Cohen (percussão / teclado), busca referências oitentistas (“Rain Delay”) e em batidas africanas (“Real Life” / “Cactus”) para produzir um indie pop pulsante, coeso e profundo (“Not the Same”) em seu trabalho de estreia.

Dica de download: “All of Me” ()

#30. G.O.O.D. Music: Cruel Summer
(Vários Artistas)

“Let me see you put your middle fingers up to the world”. É assim que começa o projeto de Kayne West com os artistas contratados pelo seu selo Getting Out Our Dreams Music (G.O.O.D. Music) – R. Kelly, Big Sean, Pusha T, John Legend, Kid Cudi, entre outros – na compilação Cruel Summer. West e seu time são aptos de criarem sonoridades únicas e viciantes (“Clique” / “Mercy”) sem um pingo de humildade no vocabulário. Até porque este time não precisa.

Dica de download: “Clique” ()

TOP 50 de discos de 2012 – # 31-40

terça-feira, dezembro 18th, 2012

#31. Emily Wells
(Mama)

A multi-instrumentista Emily Wells reúne música clássica com hip hop para reinventar o seu folk experimental de arranjos graciosos (“Passenger”), percussões dançantes (“Dirty Sneakers and Underwear”) e elementos R&B. Em Mama, Wells é um protótipo do imaginário das irmãs CocoRosie com a sensualidade de Lana Del Rey (“Johnny Cash’s Mama’s House”).

Dica de download: “Passenger” ()

#32. Chromatics
(Kill for Love)

Existe perfeição na simplicidade de Kill for Love. Rotulados pelo seu synthpop, post-punk e dream pop mutável, o quarto álbum do Chromatics oferece uma coleção de sonoridades lo-fi caóticas sustentadas por seus ruídos lúgubres. O vocal doce e aflito de Ruth Radelet na companhia dos sintetizadores vintages do trabalho revelam faixas épicas em suas confissões (“The River”) amorosas e sexuais.

Dica de download: “Candy” ()

#33. Twin Shadow
(Confess)

No sucessor de Forget, George Lewis Jr. (a.k.a. Twin Shadow) encarna um personagem musicalmente influenciado pela presença pop de Prince (“You Call Me On” / “Be Mine Tonight”) e as tentações de Morrissey (“When the Movie’s Over” / “The One”) para ilustrar sua jornada. Esta combinação oitentista garante credibilidade ao álbum e o fundamental para suas composições transbordarem romancismo em riffs de guitarras, melodias cativantes e letras sentimentais.

Dica de download: “Five Seconds” ()

#34. Milo Greene
(Milo Greene)

Em seu disco de estreia, as harmonias delicadas e precisas do quinteto indie do Milo Greene soam como um casamento da poesia do Bon Iver com o vigor do Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, como o hino folk a ser descoberto “1957″ com refrão simples e infeccioso (“I’ll go, I’ll go, I’ll go/ I”). O resultado revela composições cinematográficas (“Son My Son”), em suas cordas e banjos com toque caseiro, em breves interlúdios e momentos exclusivamente acústicos (“Take a Step”).

Dica de download: “1957″ ()

#35. Niki & the Dove
(Instinct)

A Suécia sempre nos presenteia com suas novidades no cenário pop e o Niki & the Dove cumpre o papel com a sua estreia contagiate e dinâmica. Instinct é uma força da natureza (“Tomorrow” / “Mother Protect”) numa cerimônia influenciada por Björk (“The Fox”) ou The Knife (“DJ, Ease My Mind “) ministrada pelo vocal puro de Malin Dahlström e texturas eletrônicas entorpecedoras.

Dica de download: “Tomorrow” ()

#36. Hot Chip
(In Our Heads)

Em In Our Heads, o Hot Chip chega a um nível em que tem conhecimento da sua importância no cenário da música eletrônica e sente-se à vontade de criar um trabalho despretensioso e competente. Nas ocasiões mais agitadas e de sintetizadores crescentes (“Flutes” / “Night and Day”) aos mais serenos (“Always Been Your Love” / “Look at Where We Are”), o grupo indica segurança em seu pop impulsivo.

Dica de download: “Flutes” ()

#37. Bobby Womack
(The Bravest Man In The Universe)

Depois de uma parceria com o Gorillaz no álbum Plastic Beach (2010), Damon Albarn assume a moderna produção no retorno do soul enigmático de Bobby Womack em seu primeiro material inédito desde Resurrection (1994). Contrabalanceando traços clássicos com um toque hodierno do trip hop, Womack declara uma trajetória sofrida e confessional em peças que justificam o título de sua bravura.

Dica de download: “Please Forgive My Heart” ()

#38. Purity Ring
(Shrines)

O projeto dream pop de Corin Roddick e Megan James indica sofisticação em suas melodias lúdicas. Planejam sua eletrônica moderna e orgânica com fórmulas do hip hop e R&B (“Grandloves”), sem perder o charme e a impecabilidade no vocal tentador de James.

Dica de download: “Lofticries” ()

#39. Animal Collective
(Centipede Hz)

O pop radiofônico psicodélico do Animal Collective em Centipede Hz tem a difícil tarefa de realizar um álbum à altura do elogiado Merriweather Post Pavilion (2009). Com vocais crus e o retorno de Deakin (Josh Dibb) às guitarras, o grupo surpreende com suas inovações e pirações constantes, além de estarem mais acessíveis como é o exemplo do single tribalista “Today’s Supernatural” com seu refrão “le-le-le-le-le-le-le-le-GO” criado para grudar na língua. Pode não superar o trabalho anterior, mas o resultado é inovador e estimulante.

Dica de download: “Applesauce” ()

#40. Crystal Castles
(III)

Se os clubes noturnos fossem palcos para rituais de magia negra, o Crystal Castles seria a trilha sonora adequada para tais eventos. Com sua sonoridade claustrofóbica de sintetizadores distorcidos e dissonantes (“Insulin”), Ethan Kath e Alice Glass produzem fúria (“Transgender”) e excelência (“Mercenary”) em seu trabalho mais consistente até o momento.

Dica de download: “Wrath of God” ()

TOP 50 de discos de 2012 – # 41-50

segunda-feira, dezembro 17th, 2012

#41. Perfume Genius
(Put Your Back N 2 It)

No sucessor de Learning (2010), Michael Hadreas (a.k.a. Perfume Genius) retoma suas tristezas e das pessoas que o cercam – como em “Dark Parts” que revela temas delicados da vida de sua mãe – em melodias singelas e de grande carga emotiva (“Take Me Home”) levadas pelo piano lo-fi e vocal fragilizado. Diante de contos e desilusões (“Hood”), Handreas carrega consigo honestidade e esperança (“Put Your Back N 2 It”) em suas composições.

Dica de download: “Hood” ()

#42. Flying Lotus
(Until Quiet Comes)

Steven Ellison (a.k.a. Flying Lotus) proporciona uma viagem a ambientes sombrios e imaginários em seus mixers e batidas eletrônicas influenciadas pelo acid jazz, hip hop e eletrônica experimental. Na companhia de nomes relevantes como Thom Yorke (“Electric Candyman”), Erykah Badu (“See Thru to U”) e Niki Randa (“Hunger”), Until Quiet Comes é o trabalho mais “acessível” do músico.

Dica de download: “See Thru to U” ()

#43. Norah Jones
(Little Broken Hearts)

A produção de Brian Burton (a.k.a. Danger Mouse) é um novo respiro na carreira de Norah Jones em Little Broken Hearts. A artista conhecida por suas baladas românticas, revela uma identidade obscura ao explorar as amarguras de uma relação amorosa sem final feliz (“Miriam”). Sem perder sua identidade pop (“Happy Pills”), Jones só tem o objetivo de virar a página em busca de uma nova fase (“All a Dream”).

Dica de download: “Miriam” ()

#44. Lianne La Havas
(Is Your Love Big Enough?)

Com a união do folk, rock e soul em suas composições, Lianne La Havas tem uma estreia digna para abordar suas desilusões (“Gone”), vinganças e relacionamentos sossegados (“Age”) revelando-se uma Corinne Bailey Rae mais interessante a ser descoberta. A produção de Matt Hales (a.k.a. Aqualung) garante o tempero pop (“Forget”) essencial ao disco.

Dica de download: “Forget” ()

#45. The xx
(Coexist)

Em Coexist, o The xx nos leva mais uma vez a um universo próprio com seu pop enigmático, sedutor e minimalista. O trio garante forças para hipnotizar com revelações de amores perdidos, na elegância das guitarras (“Angels”) e nos diálogos (“Chained”) musicados ao longo do trabalho por Romy Madley Croft e Oliver Sim.

Dica de download: “Reunion” ()

#46. iamamiwhoami
(kin)

O primeiro disco da figura misteriosa iamamiwhoami, projeto multimídia da sueca Jonna Lee e com seus trejeitos neo hype Kate Bush, proporciona um synth pop sombrio (“sever”) e denso (“idle talk”) numa relação extravagante entre criador e criatura. Apesar da figura da cantora ter nascido numa série de virais na Internet, o trabalho é capaz de se sustentar sem o material audiovisual.

Dica de download: “Kill” ()

#47. The Presets
(Pacifica)

Quatro anos depois do lançamento do álbum Apocalypso, o duo synthpop australiano The Presets revela uma nova identidade em Pacifica. O grupo foge da sombra do The Human League e do Daft Punk, declarando um lado dançante mais tranquilo (“Fall”) e reluzente (“Promises”). “Fail Epic”, balada que fecha o disco e com mínimos acompanhamentos, deixa-nos curioso para o próximo rumo da dupla.

Dica de download: “Push” ()

#48. Garbage
(Not Your Kind of People)

Sete anos depois de Bleed Like Me, o Garbage entoa seu rock digital aos quatro cantos do mundo e mostra que não perdeu o seu espaço, estilo e atitude no cenário musical. Not Your Kind of People equilibra momentos de agressividade (“Battle in Me” / “Control”), cinismo (“I Hate Love”) e voluptuosidade (“Sugar”), como espera-se de um disco da turma de Shirley Manson.

Dica de download: “Battle In Me” ()

#49. Aimee Mann
(Charmer)

Sem mudanças sonoras bruscas em sua currículo, Aimee Mann continua encantando com suas composições que são pequenas novelas entoadas por crises existenciais. Em “Crazytown” conta sobre um amigo que não consegue sair de uma relação e no dueto/diálogo com James Mercer (do The Shins) em “Living a Lie” discute um romance de ganâncias. O assunto é conhecido, mas Mann acerta nos refrões e melodias que carregam uma receita pop pronta para os ouvidos.

Dica de download: “Soon Enough” ()

#50. No Doubt
(Push and Shove)

Passada uma década e dois álbuns em carreira solo de Gwen Stefani, o No Doubt retorna às atividades com o seu sexto disco de inéditas. O ska levado pela onda reggaeira que marca Rock Steady (2001), renova-se com a produção do Major Lazer na faixa título e com seu pop imaculado (“Looking Hot” e “Heaven”) para comprovar que o grupo – literalmente – não perdeu a forma ao longo dos anos.

Dica de download: “Heaven” ()

TOP 10: videoclipes de 2012

quinta-feira, dezembro 13th, 2012

#01. Sigur RósValtari Videos
Direção: Vários

Sigur Rós

Para divulgar o seu álbum de estúdio Valtari, os islandeses do Sigur Rós divulgam uma série de vídeos surreais e melancólicos para agregar valor ao material.

Trabalhos dirigidos por John Cameron Mitchell (com a animação ‘Seraph’), Ragnar Kjartansson (“Ég anda”), Ryan McGinley (“Varúð”), Ramin Bahrani (“Ég anda”), Alma Har’el (estrelado pelo hollywoadiano e desnudo Shia LaBeouf), Clare Langan (“Varðeldur”), Floria Sigismondi (com o belíssimo curta ‘Leaning Towards Solace’) e outros cercaram as composições delicadas da turma de Jónsi de beleza própria.


Clipe de “Fjögur Píanó”

M.I.A. - Bad Girls #02. M.I.A.“Bad Girls” (vídeo)
Direção: Romain Gavras

M.I.A. encara uma aventura automobilística pelas ruas do Marrocos em que se sujeita a manobras extremamente radicias e a adrenalina corre solto para essa ‘bad girl’.

Spiritualized - Hey Jane #03. Spiritualized“Hey Jane” (vídeo)
Direção: AG Rojas

A vida de um travesti – interpretado por James Ross ou Tyra Sanchez do reality ‘Drag Race’ – e sua batalha diária para criar seus filhos é o tema principal do curta do Spiritualized.

Jay-Z & Kanye West - No Church In The Wild #04. Jay-Z & Kanye West“No Church In The Wild” (vídeo)
Direção: Romain Gavras

Jay-Z e Kanye West promovem uma rebelião com garrafas de coquetel molotov, spray de pimenta, foguetes, cachorros ferozes, lasers e um elefante pelas ruas caóticas de Praga.

The Aikiu - Pieces of Gold #05. The Aikiu“Pieces of Gold” (vídeo)
Direção: Panteros, Myd e Boston Bun

Com cenas de filmes pornôs e seus músicos executando seus instrumentos (musicais), o The Aikiu divide a tela para apresentar a sua “Pieces of Gold”.

Alt-J - Breezeblocks #06. Alt-J – “Breezeblocks” (vídeo)
Direção: Ellis Bahl

Um assassinato contado de trás para frente em slow motion garante o poder necessário para o Alt-J revelar a verdadeira origem do crime em sua trama.

Fiona Apple - Every Single Night #07. Fiona Apple“Every Single Night” (vídeo)
Direção: Joseph Cahill

Lesmas gigantes, esqueletos, cérebros humanos, um homem com cabeça de búfalo, polvos, crocodilos e desilusões pelas ruas de Paris percorrem a mente de Fiona Apple.

Woodkid - Run Boy Run #08. Woodkid“Run Boy Run” (vídeo)
Direção: Yoann Lemoine

O diretor Yoann Lemoine (a.k.a. Woodkid) não poupa esforços engenhosos durante a saga de um garotinho por um universo fantasioso em “Run Boy Run”.

Lana Del Rey - National Anthem #09. Lana Del Rey“National Anthem” (vídeo)
Direção: Anthony Mandler

O romance de Lana Del Rey e o rapper A$AP Rocky, vivendo Jackie e JFK, é recheado de momentos particulares até o trágico desfecho nas ruas de Dallas.

Citizens! - True Romance #10. Citizens!“True Romance” (vídeo)
Direção: We Are From La

Inspirados na imagem de dois namorados durante uma rebelião em Vancouver, o Citizens! promove uma ação de amor para triunfar sobre a desgraça e o caos no mundo.

BONUS TRACK:

Grandphone Vancouver - Miss me #11. Grandphone Vancouver“Miss Me” (vídeo)
Direção: Fernando Ventura

Com sua reinterpretação de diversos videoclipes em cena, o Grandphone Vancouver revela clássicos da música em seu plano sequência.

TOP 10 – videoclipes: 2011 | 2010 | 2009 | 2008

TOP 50 de discos de 2011 – # 01-10

sexta-feira, dezembro 23rd, 2011

#01. Florence and the Machine
(Ceremonials)

Com suas instrumentações grandiosas, corais de igreja (“No Light, No Light”), tons teatrais (“Shake It Out”), linguagem metafórica (“Seven Devils”) e espiritual (“Only If for a Night”), o pop medieval de Florence Welch volta com o épico sucessor de Lungs (2009) concebido nos estúdios Abbey Road. No mundo espiritual de Ceremonials, o vocal de Welch é uma força da natureza. Contrasta ritmos tribais (“Heartlines”) e sacros (“Leave My Body”), exorciza demônios (“Shake It Out”) e dá passagem a heroínas atormentadas por tragédias pessoais (como Virginia Woolf e Frida Kahlo em “What the Water Gave Me”) para ditar o mantra de seu ritual.

Dica de download: “Lover to Lover” (), “Shake It Out” () e “Leave My Body” ()

#02. Bon Iver
(Bon Iver)

No rústico For Emma, Forever Ago (2008), Justin Vernon pegou sua guitarra, durante um período de isolamento, para registrar a solidão e o fim de um relacionamento. Neste segundo álbum, autointitulado Bon Iver, carrega melodias encantadoras mergulhadas em diversos gêneros musicais – possível influência de sua colaboração em trabalhos de Kanye West e Gayngs. Nota-se na fusão folk / R&B (“Minnesota, WI”), no pop refinado (“Calgary”) ou na atmosfera 80’s de “Beth/Rest”. Se antes as composições eram mais simples, agora são convertidas numa obra sinfônica indie folk que mantém a unidade intimista de sua estreia.

Dica de download: “Michicant” (), “Holocene” () e “Perth” ()

#03. PJ Harvey
(Let England Shake)

“What if I take my problem to the United Nations?”. Neste trabalho conceitual, político e bucólico, PJ Harvey rebusca a história da Inglaterra – e suas guerras, incluindo a Primeira Guerra Mundial – para revelar que o país é origem de seus fantasmas do passado. Como é possível existir amor por uma nação responsável por atos desumanos cometidos em seu nome? Com este embasamento, Harvey conta histórias de carnificina (“The Words that Maketh Murder”), amor/repugnação à Pátria (“England”) e o adeus dos soldados aos seus entes queridos (“Bitter Branches”), armada de sua autoharp e guitarras a postos. Uma verdadeira aula de história na música que a escola não vai te contar.

Dica de download: “The Words that Maketh Murder” (), “England” () e “The Last Living Rose” ()

#04. The Weeknd
(House of Balloons)

A mixtape produzida pelo canadense Abel Tesfaye (a.k.a. The Weeknd) flerta / concentra-se no R&B dos anos 90 em suas inserções eletrônicas turvas, como se estivessem sendo manipuladas pelo How to Dress Well. As composições carregadas de vigor sexual obscuro, em seus contos de luxúria regados a drogas (“House of Balloons / Glass Table Girls”), confrontam expectativas com realidade (“The Morning”) em samples instigantes extraídos de nomes como Beach House e Siouxsie & the Banshees, por exemplo. House of Balloons, assim como nostalgia, ULTRA. (2011) de Frank Ocean, trilha um novo caminho ao gênero.

Dica de download: “Wicked Games” (), “The Morning” () e “The Knowing” () | download do disco

#05. Adele
(21)

21 é como qualquer relacionamento conturbado que acaba. Com seu soul pop romântico, Adele entrega-se de corpo e alma para futricar na ferida. Se em “Rolling in the Deep”, tenta se mostrar forte – vocalmente e nos arranjos produzidos – ao ser rejeitada, no final de sua novela chega ao consenso de que seguirá um caminho amigável em “Someone Like You”. No processo aparecem momentos de negação (“Rumour Has It”), tentativas de volta (“One and Only”) e a aceitação (“Someone Like You”). Na batalha entre a fragilidade e a raiva, com direito a um cover de The Cure (“Love Song”), a inglesa – fenômeno de vendas do ano – prova que não sofre de nenhuma maldição do segundo disco. É apenas o amor que a assusta.

Dica de download: “Turning Tables” (), “Take It All” () e “Rumour Has It” ()

#06. Jay-Z & Kanye West
(Watch the Throne)

O que se pode esperar da união de dois (magnatas) poderosos do hip hop? Uma produção grandiosa, uma coleção de samples calculados (de Nina Simone a Otis Redding), muita adrenalina (“Who Gon Stop Me”), egocentrismo (“Otis”), crítica social (“Murder to Excellence”) e reflexão (“New Day”) seriam respostas. Não bastasse a influência da dupla, o álbum ainda ganha força nas participações especiais de Frank Ocean, Beyoncé, Mr. Hudson, Elly Jackson (La Roux) – com destaque para o momento em que Justin Vernon (do Bon Iver) rouba os versos no funk “That’s My Bitch”.

Dica de download: “Who Gon Stop” (), “Niggas in Paris” () e “Lift Off” ()

#07. Lykke Li
(Wounded Rhymes)

A pureza de menininha do disco de estreia de Lykke Li é abandonada pelo som selvagem e amargurado (para a própria) de Wounded Rhymes. A sueca enfrenta o mundo sem medo das consequências (“Youth Knows No Pain”), fala do poder do sexo feminino (em seu culto de magia negra “Get Some”), mas ao mesmo tempo entrega-se à submissão (“I Follow Rivers”), machuca-se por amor (“Unrequited Love”) e encontra aconchego na solidão (“Sadness is a Blessing”). Em dois anos, Lykke Li amadureceu de forma violenta, carregando novos personagens / traumas em sua bagagem emocional.

Dica de download: “Get Some” (), “Jerome” () e “Sadness is a Blessing” ()

#08. Beyoncé
(4)

Esqueça duas coisas: o fato de Beyoncé ser um fenômeno pop e o baixo índice de vendas obtidos com 4, já que estamos falando da dona do hit “Single Ladies”. Aqui, deparamo-nos com o trabalho mais honesto da artista, pregando influências R&B e soul essenciais em sua carreira – como Prince (na sensualidade e guitarra de “1+1″), Stevie Wonder (“Love on Top” / “Rather Die Young”) e a família Jackson (“End of Time”) – e participações influentes de Kanye West e Andre 3000 (do Outkast) em “Party”. A coroa de rainha do R&B contemporâneo é feita para Beyoncé.

Dica de download: “Countdown” (), “Love on Top” () e “End of Time” ()

#09. St. Vincent
(Strange Mercy)

A multi-instrumentista Annie Clark (a.k.a. St. Vincent) acerta o ritmo / peso de sua guitarra elétrica frenética (“Northern Lights” / “Chloe in the Afternoon”) ao tom de sua voz estrídula e doce. Destila pop (“Cheerleader”) e grooves eletrônicos (“Surgeon”) de suas melodias para chegar na melhor fase de sua carreira com este terceiro álbum de estúdio. Encontra um balanço perfeito entre seu lado obscuro e pessoal, audacioso e puro, num universo de estranhezas e conflitos sonoros.

Dica de download: “Cheerleader” (), “Cruel” () e “Surgeon” ()

#10. Nicole Atkins
(Mondo Amore)

Após o lançamento de seu disco de estreia, Neptune City (2007), o mundo de Nicole Atkins virou de cabeça para baixo. Sua banda (The Sea) a abandonou, sua gravadora (Columbia) encerrou os trabalhos com ela e seu namorado a deixou. É aí que Mondo Amore, lançado pelo selo independente Razor & Tie, difere-se do seu antecessor. Enquanto Neptune City é um registro de lamentações e lembranças de sua cidade natal, Mondo Amore é um álbum de emoções, esperanças e penoso. Neste tornado de sentimentos, Atkins exorciza demônios no rock (na temperamental “You Come to Me”), no blues (“War is Hell”), no country (“My Baby Don’t Lie”) e no soul (“Cry Cry Cry”).

Dica de download: “Vultures” (), “Cry Cry Cry” () e “My Baby Don’t Lie” ()

TOP 50 de discos de 2011 – # 11-20

quinta-feira, dezembro 22nd, 2011

#11. Foo Fighters
(Wasting Light)

O sétimo registro do Foo Fighters é o melhor disco da banda desde The Colour and the Shape (1997). O peso das composições se deve à produção de Butch Vig, responsável pelo clássico Nevermind do Nirvana. Outra referência é a participação de Krist Novoselic – colega de Grohl no grupo de Kurt Cobain – no baixo em “I Should Have Known”. Da explosiva “White Limo” aos riffs matadores de “Rope”, o trabalho – gravado de forma analógica numa garagem – é a prova de que a aura rock dos rapazes está mais iluminada do que nunca.

Dica de download: “Arlandria” ().

#12. Laura Marling
(A Creature I Don’t Know)

Com apenas 21 anos, A Creature I Don’t Know – o terceiro trabalho de Laura Marling – é mais um trabalho extraordinário e ambicioso no currículo da jovem artista. Levadas pelo folk, as composições são peças extremamente pessoais (como em “Salinas” sobre sua infância e sua mãe) contrapondo delicadeza (“Night After Night”) com momentos turbulentos e relações devastadoras (“The Beast”). Marling é uma menina grande no cenário folk atual.

Dica de download: “Sophia” ()

#13. Anna Calvi
(Anna Calvi)

Os acordes sombrios e virtuosos extraídos da guitarra, o vocal contralto robusto e as letras de amor/morte de Anna Calvi foram peças chave para conquistar os ouvidos de músicos como Nick Cave e Brian Eno – este último, considera-a a artista mais visionária desde Patti Smith. Seja contrastando o flamenco (nos acordes de “The Devil” e “Morning Light”) com o rock, tateando PJ Harvey (“No More Words”) – em texturas nebulosas influências pelo cinema de David Lynch – ou no vocal tumultuoso quase sussurrado, a estreia de Calvi é irrepreensível.

Dica de download: “Blackout” ()

#14. Shelby Lynne
(Revelation Road)

A mais pura essência de Shelby Lynne está nas onze faixas de Revelation Road. Com mais de vinte anos de estrada, a cantora assina, produz e se responsabiliza por todas as notas emitidas no trabalho. O toque pessoal transforma sua infância em poema (“I’ll Hold Your Head”), vasculha fantasmas do passado (“Heaven’s Only Days Down the Road”, sobre a morte da mãe, assassinada pelo pai em sua frente) e relações amorosas fracassadas (“Woebegone”). Composições complexas levadas por uma agradável naturalidade em acordes regados de alt-country.

Dica de download: “Revelation Road” ()

#15. The Kills
(Blood Pressures)

Existe uma mágica intensa no ‘casamento musical’ de Alison Mosshart e Jamie Hince. O blues punk atemporal de guitarras sujas (“Future Starts Slow”) e distorcidas (“Baby Says”), com cara de fundo de quintal e estética analógica, encontra exílio na voz dilacerante e sensual (“DNA”) de Mosshart. Diante de tanta barulheira, melodias claustrofóbicas e sombrias, sobra espaço para momentos de introspecção e calmaria, como em “The Last Goodbye” com Alison abrindo o coração sobre uma relação com o fim marcado. O sangue do The Kills ainda pulsa com força.

Dica de download: “Baby Says” ()

#16. EMA
(Past Life Martyred Saints)

“Fuck California, you made me boring”. O disco de estreia de Erika M. Andersen, ex-integrante do noise folk Gowns, é levado por letras provocativas, densas e que expõe sua fragilidade diante de relacionamentos frustrados, como quando canta em tom delicado “I wish that every time he touched me left a mark” em “Marked”. Os elementos eletrônicos sem exageros encontram fuga no rock revigorante de PJ Harvey e Kim Gordon (Sonic Youth), mas é na falta de otimismo e perspectivas de EMA (“tenho apenas 22 anos e não me importo em morrer”) que ganha seu ouvinte.

Dica de download: “California” ()

#17. James Blake
(James Blake)

A essência dubstep, a sonoridade minimalista (“The Wilhelm Scream”) e as distorções sonoras (“Why Don’t You Call Me?”) são a base do álbum homônimo de James Blake. Mesmo com todos artefatos eletrônicos, o músico ainda cativa seu ouvinte (sem os vocoders) nas composições conduzidas por acordes de piano, como “Limit to Your Love” (originalmente de Feist) e “Give Me My Month”, com a destreza vocal melancólica de Antony and the Johnsons. Um talento promissor.

Dica de download: “The Wilhelm Scream” ()

#18. Girls
(Father, Son, Holy Ghost)

Em Father, Son, Holy Ghost, a dupla Christopher Owens e Chet “JR” White deixa os vícios de lado para falarem de sentimentos e esperanças, como demonstram na faixa que abre o disco, o rockabilly afetuoso de “Honey Bunny”. O contraste de guitarras melódicas (“My Ma”), órgãos / coros gospel (“Vomit”) e a energia do psy-rock (“I Die”) elevam o estado de espírito do duo neste trabalho compassivo.

Dica de download: “Vomit” ()

#19. Real Estate
(Days)

Com ares de nostalgia (“things won’t be like they were before”), Days – o segundo registro do Real Estate – vaga entre o agridoce do indie pop (“It’s Real”) e a despretensão do surf rock (“Three Blocks”), quando não se permite à sessões exclusivamente instrumentais (“Kinder Blumen”). As melodias econômicas, com guitarras melódicas levadas ao estilo Beach Boys, têm efeito imediato.

Dica de download: “It’s Real” ()

#20. Telekinesis
(12 Desperate Straight Lines)

Após ser o único integrante a dar continuidade aos trabalhos do Telekinesis e terminar um relacionamento à distância que deu origem ao seu disco de estreia, Michael Lerner encontrou porto seguro na produção de Chris Walla (guitarrista do Death Cab For Cutie). Em canções de curta duração, Lerner – a banda de um homem só – cria um indie power pop sensível sobre as dores do amor, raiva e esperança em peças musicais prontas para te fazer bater o pé no chão de empolgação.

Dica de download: “Car Crash” ()

TOP 50 de discos de 2011 – # 21-30

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

#21. Kate Bush
(50 Words for Snow)

Nesse trabalho conceitual, inspirado em contos de inverno, Bush recorre a figuras lendárias (em “Wild Man” em busca do abominável homem das neves), amores impossíveis (em “Misty” e a relação com um boneco de neve) e que percorrem o tempo (em “Snowed in at Wheeler Street” cantando com Elton John). Produz uma narrativa imaginária levada por orquestrações refinadas, construídas por delicados acordes de piano, e deixa auditível sua contribuição (e inspiração) ao universo pop.

Dica de download: “Snowed in at Wheeler Street” ()

#22. Fleet Foxes
(Helplessness Blues)

Dica de download: “Bedouin Dress” ()

#23. M83
(Hurry Up, We’re Dreaming)

Com a saída de Nicholas Fromageau do M83, sobrou para Anthony Gonzalez carregar o projeto sozinho. Ele nos pega pela mão e nos encaminha para seu mundo particular de sonhos. Num pop ambiente onírico (“Claudia Lewis”) de sintetizadores refinados (“Midnight City”) e cordas sentimentais (“Wait”), somos apresentados aos seus personagens fantásticos. O início de sua hipérbole sonora conta com a presença eminente de Zola Jesus (“Intro”), encontra inspiração nos anos 80 e escapes em Simple Minds (“Reunion”) no trajeto.

Dica de download: “Steve McQueen” ()

#24. Kurt Vile
(Smoke Ring For My Halo)

Dica de download: “Baby’s Arms” ()

#25. tUnE-yArDs
(Whokill)

Em seu segundo registro, Merrill Garbus – a única integrante fixa do tUnE-yArDs – aposta num híbrido de afropop, funk, ritmos havaianos e reggae. Nesta selva sonora, de colagens eletrônicas e efeitos animados, há espaço para cantar o sexo (“Powa”), o abuso de poder (“Riotriot”) e abordar questões sociais (“My Country”). A brincadeira de Garbus é mais séria do que soa.

Dica de download: “Bizness” ()

#26. The Black Keys
(El Camino)

Dica de download: “Lonely Boy” ()

#27. Björk
(Biophilia)

Biophilia é o trabalho mais ambicioso da carreira de Björk. Aqui, ela reinventa-se através dos dispositivos touch / tablets e dá vida ao seu projeto multimídia. Narra a relação homem x universo em canções que percorrem seu DNA “digital”, expondo os efeitos fatais do amor (“Virus”), medos (“Crystalline”) e conflitos pessoais (“Mutual Core”) com embasamento universal e mitológico (“Cosmogony”).

Dica de download: “Thunderbolt” ()

#28. Arctic Monkeys
(Suck It and See)

Dica de download: “Brick by Brick” ()

#29. Feist
(Metals)

Feist não se deslumbrou com o sucesso de The Reminder (2007). Em Metals, nada contra a correnteza em busca de um toque caseiro (“Cicadas and Gulls”) levado por melodias simples e aconchegantes. A balada de tamborins “Undiscovered First”, a intimista “Bittersweet Melodies”, a melancólica “How Come You Never Go There” com vestígio de jazz e o blues relaxante de “Anti-Pioneer” – acompanhadas do vocal agradável e mágico de Leslie – combinam simplicidade e perfeição.

Dica de download: “A Commotion” ()

#30. The Decemberists
(The King Is Dead)

Dica de download: “Down by the Water” ()

TOP 50 de discos de 2011 – # 31-40

terça-feira, dezembro 20th, 2011

#31. Austra
(Feel It Break)

Com seu synth pop gótico, a estreia desse trio canadense encontra força na voz sublime, versátil e dramática de Katie Stelmanis. Os elementos eletrônicos abrangentes e dançantes adicionados ao vocal operático de Stelmanis, resultam num pop noir com resquícios de Cocteau Twins (“Hate Crime”), Kate Bush (“The Choke”) e Karin Dreijer Andersson (“Darken Her Horse” / “The Future”).

Dica de download: “Lose It” ()

#32. Katy B
(On a Mission)

Dica de download: “Katy on a Mission” ()

#33. Ghostpoet
(Peanut Butter Blues & Melancholy Jam)

“A vida é muito curta para guardar rancores (…) a vida é muito longa para não fazer planos” são frases que o inglês – de origem nigeriana e dominicana – Obaro Ejimiwe (a.k.a. Ghostpoet) relata em tom biográfico no seu trabalho de estreia. Os excessos de bebida e crises existenciais (“Cash and Carry Me Home”) ganham força no seu hip hop experimental e eletrônico que remete um The Streets linear e melódico (“Survive It”) com momentos minimalistas de James Blake.

Dica de download: “Liiines” ()

#34. Atlas Sound
(Parallax)

Dica de download: “Terra Incognita” ()

#35. R.E.M.
(Collapse Into Now)

A turma de Michael Stipe despede-se do mundo da música em alto estilo com Collapse Into Now. Os titãs do rock diversificam sonoridades com as participações especiais de Patti Smith (“Blue”), Eddie Vedder (“It Happened Today”) e Peaches (na furiosa “Alligator Aviator Autopilot Antimatter”). O trabalho compila o que de melhor o trio produzido ao longo de 30 anos, como por exemplo “Überlin” que poderia facilmente ser encaixada no repertório de Out of Time (1991).

Dica de download: “Alligator Aviator Autopilot Antimatter” ()

#36. Wilco
(The Whole Love)

Dica de download: “Capitol City” ()

#37. The Joy Formidable
(The Big Roar)

As guitarras urgentes, os riffs sujos inspirados no grunge dos anos 90 e as melodias pop explosivas são acompanhadas com destreza pelo vocal doce / infantil de Ritzy Bryan. Até nas composições mais leves (“Whirring” e “I Don’t Want To See You Like This”), o trio encontra uma forma de desviar sua energia para a barulheira sem perder o equilíbrio.

Dica de download: “Cradle” ()

#38. TV On The Radio
(Nine Types of Light)

Dica de download: “Caffeinated Consciousness” ()

#39. Zola Jesus
(Conatus)

Zola Jesus é um furacão de sonoridades sombrias (“Vessel”) e pulsantes (“Hikikomori”) no seu habitat gótico, eletro e industrial. Há uma dramaticidade sobrenatural em seu vocal, transformando suas composições em rituais de percussão marcante (“Shivers”), sintetizadores quase dançantes (“Seekir”) e discretos instrumentos de corda (“Avalanche”). Destaque para “Skin” conduzida ao piano pela própria artista.

Dica de download: “Avalanche” ()

#40. Battles
(Gloss Drop)

Dica de download: “Ice Cream” ()