Review: Extermínio 2

sexta-feira, junho 1st, 2007

Extermínio (2002) arrecadou mundialmente quase dez vezes o seu custo. O sucesso do misto de ficção com terror ganha um continuação melhor que a encomenda. O novo filme, dirigido por Juan Carlos Fresnadillo, não fica devendo nada ao anterior.

A ação se passa 28 semanas após (do título original) a devastação causada por um vírus. Acredita-se que a epidemia chegou ao seu fim, após a ocupação do exército norte-americano, e a Grã-Bretanha está pronta para colocar “ordem na casa” trazendo seus sobreviventes. Assim que a primeira leva chega, descobre-se que um deles carrega uma variação do vírus. Aí, é prender o fôlego e ser surpreendido por muito sangue, matança, fugas e histeria.

É cinema pipoca que funciona mais do que deveria. Um dos pontos que o filme ganha é não cair gratuitamente no cômico, como geralmente acontece nas fitas do gênero. Extermínio 2 é ágil e tenso sem dar muita pausa para o seu espectador relaxar os músculos. Os movimentos nervosos de câmera causam calafrios, lembrando o trauma psicológico de A Bruxa de Blair, e seus zumbis (não no estilo mortos-vivos) estão mais sangüinários, impiedosos e assustadores. Se após 28 semanas fomos expostos à uma experiência dessas, já dá vontade de especular como seriam 28 meses depois.

Extermínio 2 (28 Weeks Later, Londres / Reino Unido, 2007)
Direção: Juan Carlos Fresnadillo
Com: Jeremy Renner, Harold Perrineau Jr, Robert Carlyle, Rose Byrne, Catherine McCormack. 91 min.

Review: Björk – ‘Volta’

segunda-feira, maio 28th, 2007

Björk - VoltaVolta é recheado de experimentalismo entre momentos de sussurros e berros. O novo álbum – o sexto de músicas inéditas desde a carreira solo iniciada em 1992 – apresenta um som tribal em algumas composições, como é o exemplo da faixa que abre o disco (“Earth Intruders”) e “Hope”, com batidas que ganham formas do grupo Konono N.° 1.
A islandensa conta com a participação do produtor Timbaland – responsável pelos recentes sucessos de Justin Timberlake e Nelly Furtado.

Grandes passagens do álbum ficam por conta do vocal melancólico de Antony Hegarty (em “The Dull Flame of Desire” e “My Juvenile”) e no batidão com loops a la Timbaland de “Innocence”. O engajamento político de Volta aparece em “Declare Independence”, sobre homens-bomba e declarações de independência, sendo uma das faixas de maior intensidade.

Volta é o disco mais acessível de Björk. Na busca de ser pop e experimental, perde o foco quando a cantora busca referências em trabalhos anteriores. Mas nem por isso, perde a qualidade de ser exótico.

Dica de download: “Innocence” (), “Declare Independence” () e “Vertebrae by Vertebrae” ().

Review: Skins – Primeira Temporada

segunda-feira, maio 14th, 2007

Skins

Skins foi ao ar em janeiro deste ano na Europa e deu o que falar no mundo inteiro. A série foca a vida de um grupo de adolescentes entre 16-18 anos de Bristol. No drama somos apresentados a vida desses personagens e suas rotinas: casa, escola, festas.

Temos o popular (Tony), sua namorada (Michelle), um muçulmano (Anwar), um gay (Maxxie), uma menina com transtornos alimentares (Cassie), um virgem à beira de um ataque de nervos (Sid), uma garota aplicada com problemas familiares (Jal), o festeiro que fantasia com sua professora (Chris).

A cada episódio somos apresentados de forma íntima a um dos personagens, sem perder o contato com o grupo. O primeiro programa é centrado no popular e intelectual Tony (Nicholas Hoult, o menino de Um Gande Garoto). Logo, conhecemos sua família, seu dom de irritar o pai e a relação com o melhor amigo Sid (Mike Bailey, uma das grandes revelações). Sid é virgem e Tony diz que não manterá a amizade a não ser que ele ponha em prática a vida sexual antes do aniversário de 17 anos. Daí em diante, Skins não se prende exclusivamente na descoberta do sexo e das drogas, mas propõe questionar dramas adolescentes.

Com uma cambada de personagens, é Cassie (a garota com distúrbios alimentares e tendências suícidas) que mais carisma demonstra. Carrega consigo conflitos relevantes e aura de inocência. Esse é o segredo do programa, retrata a vida corriqueira desses garotos, seus desejos e frustrações.

Definitivamente, um dos melhores episódios é quando a turma de amigos vai à Rússia com a escola (episódio 6). O humor é rápido, direto e escrachado. Se ofende seu espectador, não se preocupa, continua mantendo a linha até o seu desfecho. Palavrões como fuck são naturais – não saem apenas da boca dos garotos, mas de seus pais e professores. Vale ressaltar nesse episódio, a menina russa que aprendeu inglês com “o maior show de televisão norte-americano de todos os tempos” (How you doin’?).

A trilha sonora não poderia ser mais adequada. O show abre com a poderosa “Standing in the Way of Control”, do The Gossip, e traz nomes como Yeah Yeah Yeahs (“Date with the Night”), a adorável Jolie Holland (“Old Fashion Morfine”), The Raconteurs (“Broken Boy Soldier”), Pete Doherty (“For Lovers”), entre outros. A música é elemento condutor, como fica registrado no último episódio na faixa “Wild World” em seu momento Magnólia (idem “Wise Up”) – com os personagens principais dando voz ao clássico de Stevens.


Promo de Skins

A televisão mudou com o passar dos anos, sendo mais abusiva, assim como os adolescentes que hoje não sabem o que é Porky´s. Skins é politicamente incorreta, mas nem por isso deixa de ser interessante. Extrapola dos esteriótipos e comove com o realismo.

A segunda temporada começa a ser rodada em junho desse ano e não há data de previsão para a série ser exibida no Brasil.

Review: Cão Sem Dono

sexta-feira, maio 11th, 2007

Cão Sem Dono, o novo filme de Beto Brant e co-dirigido com Renato Ciasca, tem sua estréia em Porto Alegre neste final de semana. O longa-metragem rodado na capital gaúcha é uma parceria entre as produtoras Clube do Silêncio (RS) e Drama Filmes (SP).

Adaptação do livro Até o Dia em que o Cão Morreu, de Daniel Galera, o projeto apresenta um conturbado relacionamento amoroso entre dois jovens. Ciro (Júlio Andrade) é um recém-formado em literatura e está crise existencial. Relaciona-se basicamente com o porteiro de seu prédio, os pais e um cachorro de rua. Sua vida transforma-se quando conhece Marcela (Tainá Müller), uma ambiciosa modelo em início de carreira. A relação entre os personagens torna-se intensa, até ele se ver obrigado a interagir com o mundo exterior por um incidente na vida da garota.

Grande atrativo do projeto é a naturalidade de seus atores – como por exemplo, as cenas na residência dos amigos do casal. Não existe exagero em tornar o filme “sulista” com sotaques carregados, já que o elenco e a equipe técnica são todos gaúchos. Ao mesmo tempo, Beto Brant garante sensibilidade na direção de seus personagens complexos.

Um dos momentos referência é a canção tradicional norte-americana “Moonshiner”. Em conversa, após a exibição do longa, a atriz Tainá Müller revela que na época dos ensaios brincava no violão e cantava a música (por ser grande fã da cantora Cat Power que já interpretou a composição em seu álbum Moon Pix). A “performance” chamou a atenção do diretor Beto Brant que a permitiu cantar a faixa no projeto – o trecho pode ser conferido no trailer.


Trailer de Cão Sem Dono

Cão Sem Dono foi eleito o melhor filme no último Festival de Recife. A produção venceu pela escolha do júri oficial e também pela crítica, além de render o prêmio de melhor atriz à Tainá Múller.

O filme entra em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro, dia 15 de junho.

Cão Sem Dono (Brasil, 2007)
Direção: Beto Brant
Com: Júlio Andrade, Tainá Müller, Roberto Oliveira, Marcos E. Contreras. 82 min.

Review: Feist – ‘The Reminder’

domingo, maio 6th, 2007

Feist é o projeto solo da canadense Leslie Feist, conhecida também pelo seu trabalho no Broken Social Scene. The Reminder é o terceiro álbum da garota, que já havia lançado Let It Die (2004) e Monarch (1999).

O vocal é um encontro de sensualidade com intimidade. As composições, em sua maioria com uma base acústica fundida ao folk, pop e jazz – encontram simplicidade nas letras – como em “1 2 3 4″, na qual canta “1, 2, 3, 4 / tell me that you love me more”.

É um trabalho mais elaborado que os anteriores. Com momentos de delicadeza (“So Sorry”) e outros com uma pegada pop despretensiosa (“My Moon, My Man”/“I Felt It All”) conquistando seu ouvinte.

Em “Brandy Alexander”, canta os primeiros versos seguidos apenas do ritmo dos estalos dos dedos até que acordes generosos surgem no piano e cordas transformam a composição em algo maior. O mesmo pode ser dito da atmosfera jazzística criada em “The Limit to Your Love”. O deslize fica por conta do folk experimental “Sealion”, uma reinterpretação equivocada de “See-Line Woman”, originalmente de Nina Simone.

No entanto, o resultado final é positivo. O álbum fecha com a melancólica “How My Heart Behaves”, na qual Leslie divide o vocal com Jamie Lidell, contando com acordes de piano e harpa.

The Reminder é o típico disco para se escutar sozinho num quarto escuro, deixar-se envolver pelas melodias e imaginar uma mão delicada acariciando seu rosto.


Clipe de “1 2 3 4″

Dica de download: “Brandy Alexander” (), “Past in Present” () e “My Moon, My Moon” ()

Review: Nine Inch Nails – ‘Year Zero’

terça-feira, abril 24th, 2007

Year Zero, novo trabalho do Nine Inch Nails, já mostra para o que veio em sua faixa de abertura, a apocalíptica “Hyperpower!” servindo de introdução para “The Beginning of the End”.

A proposta é estabelecer um marco com novas técnicas e sonoridades, sem desvencilhar a identidade dos trabalhos anteriores de Trent Reznor. A brutalidade nos instrumentos e vocais (“Survivalism”) é executada de forma sublime quando os elementos eletrônicos são aplicados nas canções (“Vessel” / “The Warning”).

O conceito do disco está baseado na administração de George W. Bush, porém com uma idéia futurista – daqui a 15 anos – quando um governo totalitarista comandará os EUA e seus objetivos serão guerras e destruição. O ano zero, aos olhos do grupo, é definitivamente o fim dos dias comandados por um homem. Assim como deixa clara a batida eletrônica maçante de “Capital G” e sua primeira frase – “I pushed a button and elected him to office and / He pushed a button and it dropped a bomb”.

“The Great Destroyer” chega ao seu ápice explodindo numa confusa mixagem que remete ataques e clima de paranóia. Em seguida, na composição “Another Version of the Truth”, uma faixa instrumental conduzida por acordes de piano, cria-se uma atmofesra de esperança nesse mundo caótico criado por Reznor.

Com este olhar, repleto de conspirações e destruição, o Nine Inch Nails volta com um trabalho acessível, e ao mesmo tempo denso, a qualquer tipo de ouvinte.


Clipe de “Survivalism”

Dica de download: “My Violent Heart”, “In This Twilight” e “Capital G”