Review: Marina and the Diamonds – ‘Electra Heart’

sexta-feira, maio 4th, 2012

Marina and the Diamonds - Electra HeartMarina Diamandis (a.k.a. Marina and the Diamonds) nos apresenta seu alterego Electra Heart no pop veloz e juvenil de “Bubblegum Bitch” com a frase “Oh dear diary, we fell apart, welcome to the life of Electra Heart”.

É a garota que ama, sofre, quer ser popular e tira suas conclusões de um turbilhão de sentimentos. A personagem nasce como uma nova proposta nessa aventura sonora da artista.

Dá-se ao luxo de ser categorizada de pop mainstream (“Primadonna”), com as batidas eletrônicas se exaltando por cima dos instrumentos, mantendo a essência e autenticidade nas letras que são um dos pontos altos do material.

Essa nova Marina, diverte-se com composições irônicas (a destruidora de lares de “Homewrecker”), sofre ao revelar seus relacionamentos mal sucedidos (nas dolorosas “Lies” e “Starring Role”) e insiste na busca pela popularidade (“Teen Idle”) para curar as feridas. A inspiração de sua transformação, numa loira fatale, vem da figura de Marilyn Monroe como revela a lúdica “The State of Dreaming”.

Marina and the Diamonds

Electra Heart peca quando soa mecânico e a consistência das composições não encontram variações, sendo camufladas por uma produção grandiosa e renomada. As melodias são tão incrementadas de efeitos, como sugere “Living Dead” com sua estrutura à la “Sweet Dreams”, do Eurythmics, que a certa altura falta a espontaneidade e desestrutura melódica do trabalho de estreia da cantora.


Clipe de “Primadonna”

É com a faixa de despedida “Fear and Loathing” que Marina para de sofrer com essa crise de identidade – com a produção de Liam Howe, de The Family Jewels – e encontra-se novamente. O que antes era jóia, agora não passa de bijuteria num mercado repleto de variedades.

Dicas de download: “Homewrecker” (áudio), “Lies” (áudio) e “Starring Role” (áudio).

Summer Soul Festival: Mayer Hawthorne, Janelle Monáe e Amy Winehouse em Florianópolis

quarta-feira, janeiro 12th, 2011

Mayer Hawthorne

Dos três artistas presentes, Mayer Hawthorne era a estrela menor do Summer Soul Festival. O produtor / DJ começou o seu show com o soul arrebatador de “Your Easy Lovin’ Ain’t Pleasin’ Nothin’”, um dos principais destaques do seu álbum A Strange Arrangement, fazendo com que todos entrassem no clima de sua apresentação. Conquistando o público logo na primeira canção, o show seguiu na sua linha soul retrô com canções como “Maybe So, Maybe No”, “I Wish It Would Rain” (pedindo para o público o ajudar numa coreografia) e a dançante “The Ills”.

Summer Soul
Summer Soul

O músico ainda se sobressaiu nos covers de “Beautiful” de Snoop Doog e “Mr. Blue Sky” do Electric Light Orchestra, além de interagir com as pessoas ao contar (vídeo) que havia sido confundido com o ator Tobey Maguire (de Homem-Aranha) por um segurança no aeroporto de Florianópolis.

Janelle Monáe

Janelle Monáe é um espetáculo teatral à parte com seus personagens que a perseguem pelo palco e sua presença diante do público. Dançou, cantou, pintou (durante a canção “Mushrooms & Roses”) e cativou o público com o seu talento e inquietude em cena.

Summer Soul
Summer Soul

Seja em canções animadas (“Locked Inside”), dançantes (“Sincerely Jane”) ou com o seu impressionante talento vocal no cover da clássica “Smile” (vídeo) de Charles Chaplin, acompanhada apenas de uma leve guitarra, Monáe dá identidade única a cada uma das composições do álbum The ArchAndroid e do EP Metropolis. Despediu-se com chave de ouro com as estrondosas “Cold War” e “Tightrope” – com sua sensacional coreografia – levando o público ao êxtase.

Janelle é uma estrela em constante ascensão.

Amy Winehouse

Apesar de ser ofuscada pelo talento de Janelle Monáe, Amy Winehouse era a personagem principal no evento. Mesmo encarnando seu eterno papel problemático, apresentou um show (podemos dizer) digno, dando preferência às canções do álbum Back to Black e deixando seu trabalho de estreia Frank, praticamente esquecido. Sem muita vontade de cantar canções clássicas como “Rehab”, “Back to Black” ou “Tears Dry on Their Own” – praticamente entoadas em uníssono pelo público -, Winehouse deu preferência em revidar com novidades em seu repertório com a sensacional interpretação de “The Boulevard of Broken Dreams” (vídeo), de Al Dubin e Harry Warren, e “I’m On the Outside (Looking In)” (vídeo) da banda Little Anthony & The Imperials.

Summer Soul
Summer Soul
Summer Soul

Ainda cedeu espaço para o seu backing vocal Zalon assumir três composições no palco, enquanto apenas assistia sentada ao lado da bateria. Após, voltou ao comando para acertar mais algumas canções de seu premiado trabalho e despedir-se ao som da famigerada “Valerie”.

Para quem imaginava que Amy faria uma apresentação curta ou nem mesmo subisse ao palco, a artista até que surpreendeu.

INFORMAÇÕES: Summer Soul Festival, Florianópolis – SC
08/01 – 22h.
Fotos: Letícia Algayer

Review: Phoenix – ‘Wolfgang Amadeus Phoenix’

quarta-feira, maio 20th, 2009

Phoenix - Wolfgang Amadeus PhoenixWolfgang Amadeus Phoenix, o quarto trabalho dos franceses do Phoenix, é um disco pop de primeira. Não desses descartáveis, mas sofisticado. Percebe-se isso nas homenagens a músicos clássicos como Franz Liszt e Mozart.

A primeira faixa, “Lisztomania”, carrega elementos essencias das canções do grupo: pegada intensa, letras grudentas (“think less but see it grow / like a riot, like a riot, oh … from a mess to the masses”) e com clima para cima para dançar. Em “1901″ e “Armistice” namoram os anos 80 com seus sintetizadores uivantes e teclados inspirados, enquanto “Fences” retrocede à década de 70 com leves passos da disco music.

A sinfonia eletro de “Love Like a Sunset” agrega valor ao trabalho influenciado em grandes nomes da música erudita. Mas, é em “Rome” que os rapazes encontram uma perfeição variante de todos os ingredientes do álbum, numa produção caprichada e de refrão viscoso.

Phoenix

Recheado de singles com potencial, Wolfgang Amadeus Phoenix mantém o nome desses garotos classudos intacto no concorrido (atual) cenário pop francês.

Dicas de download: “Lisztomania” (vídeo), “Rome” (MP3) e “1901″

Review: Röyksopp – ‘Junior’

segunda-feira, março 30th, 2009

Röyksopp - JuniorJunior é o disco mais acessível dos noruegueses Svein Berge e Torbjørn Brundtland, os nomes por trás do Röyksopp. O trabalho origina um espetáculo pop eletrônico sofisticado para funcionar nas pistas de dança, exalando energia a cada batida, além de pacificar os ânimos com suas melodias mais tranquilas (“Silver Cruiser”).

Com dois álbuns celebrados pela crítica – Melody AM e The Understanding -, em Junior o duo encontra harmonia e êxito na lista de convidadas especiais. Cantoras como Robyn (“The Girl and the Robot”), Lykke Li (“Miss It So Much”), Karin- The Knife e Fever Ray – Dreijer Andersson (“This Must Be It” e “Tricky Tricky”) e Anneli Drecker (“True to Life” e “You Don’t Have a Clue”), parceira dos primeiros trabalhos dos músicos, transcendem o material.

O single “Happy Up Here” molda sua melodia em artifícios do Air em noite de distração, “The Girl and the Robot” saltita com trejeitos de “Hung Up” (de Madonna), “Miss It So Much” é pura ternura na voz de Lykke Li e “Röyksopp Forever” é uma peça clássica com suas cordas aliadas às inserções eletrônicas da faixa.

Diferente dos trabalhos anteriores da dupla, Junior encanta justamente por ser mais fácil e direto. Um bom disco de música eletrônica para começar o ano.

Dicas de download: “The Girl and the Robot”, “Miss It So Much” e “This Must Be It”

Review: O Casamento de Rachel

sábado, fevereiro 21st, 2009

O Casamento de Rachel

Em O Casamento de Rachel, a atriz Anne Hathaway tem a oportunidade de se livrar de personagens ordinários e entregar uma das melhores performances do ano como a problemática Kym. Na história, a garota sai da reabilitação para participar dos preparativos do casamento de sua irmã Rachel (interpretada apropriadamente por Rosemarie DeWitt) e reviver um passado que a condena.

O filme é uma panela de pressão aquecida por emoções familiares, um contraste de alegrias comuns e tristezas silenciadas, prestes a explodir a qualquer minuto de projeção. A maneira que seus personagens se machucam verbalmente é de uma crueldade tão intensa que impossibilita o seu espectador a escolher o que e quem está certo ou errado em seus discursos.

O filme apresenta pequenos deslizes, como o foco desnecessário em tomadas arrastadas da festa, mas que não atrapalham o seu desempenho como um todo. São as atuações e o roteiro revelador do longa que transformam O Casamento de Rachel numa peça familiar tão comum e complexa diante de nossos olhos.

Curiosidade: o personagem Sidney é interpretado por Tunde Adebimpe, vocalista da banda TV on the Radio.

O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, EUA, 2007)
Direção: Jonathan Demme
Com: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Mather Zickel, Bill Irwin, Debra Winger, Tunde Adebimpe. 112 min.

Review: Foi Apenas Um Sonho

domingo, fevereiro 1st, 2009

Apenas Um Sonho

Em Foi Apenas Um Sonho, o diretor Sam Mendes (de Beleza Americana) volta a trabalhar com o seu olhar único do subúrbio, tendo como base a obra de Richard Yates. O reencontro do casal de Titanic, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, traz os atores em um patamar além da atuação de doze anos atrás – sem necessidade de comparações.

Aqui, formam um jovem casal que adia projetos pessoais para juntos formarem uma família. Com o passar dos anos, os sonhos e ideais almejados sofrem com o rumo de suas vidas. Com o cotidiano transformando-se em inimigo e o amor em incerteza, Mendes toma posto para ferir seu espectador.

Os diálogos e troca de farpas entre os protagonistas são de uma potência incômoda e cruéis. Enquanto que a trilha sonora de Thomas Newman é um coadjuvante necessário, dando ar melancólico e de esperança com seus arranjos guiados por simples e repetidas notas ao piano.

O grande trunfo do filme é a possibilidade de identificação e reflexão de seu espectador. Digo isso, pois esse não era o típico filme para eu assistir. Pelo menos não agora.

Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, EUA, 2008)
Direção: Sam Mendes
Com: Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Kathy Bates, Michael Shannon, David Harbour. 119 min.

Review: A Troca

sábado, janeiro 17th, 2009

A Troca

Em seus últimos filmes, Clint Eastwood – o diretor – trabalhou com temas de cunho histórico para seduzir seus espectadores. Depois de apresentar seu olhar sobre a Segunda Guerra Mundial, em A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima – utiliza a Los Angeles da década de 20 como pano de fundo neste drama.

Baseado em caso real, A Troca traz a história de Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira em busca de seu filho desaparecido. Num plano arquitetado pela polícia corrupta de Los Angeles em busca de prestígio, o detetive local convence um garoto a se passar por Walter Collins. Logo, a mãe alega que aquele não é seu filho e é apontada como psicologicamente alterada após a volta do garoto.

Se Angelina entrega-se ao papel de forma sublime, contrastando inquietude e repressão, cabe a Eastwood driblar os clichês com sua direção segura e bem arquitetada num roteiro com excessos de justificativas e delongas. Ainda dá para destacar o excelente elenco de apoio – que inclui os competentes John Malkovich, Amy Ryan e Jeffrey Donovan -, a reconstituição de época caprichada e a trilha sonora, assinada pelo próprio diretor.

No entanto, se alguém merece ser aplaudido de pé, levantem-se para o esforço e talento de Angelina Jolie.

A Troca (Changeling, EUA, 2008)
Direção: Clint Eastwood
Com: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Amy Ryan, Devon Conti, Colm Feore. 141 min.

Review: Lipstick Jungle – Primeira Temporada

domingo, dezembro 7th, 2008

Lipstick Jungle - Primeira Temporada

Verdade seja dita. Lipstick Jungle (ou Selva de Batom, no Brasil) é prima pobre e sem classe de Sex and the City. Baseada em livro de Candice Bushnell, autora das aventuras de Carrie e companhia, a série acompanha três mulheres bem-sucedidas de Nova Iorque, lidando com suas dificuldades pessoais e profissionais.

Brooke Shields – atrolhada de botox ao ponto de lhe faltar expressão – é Wendy Healy, uma executiva que concilia a carreira com a família. Kim Raver é Nico, uma editora de moda dividida entre o casamente estável e o amante mais jovem (Robert Buckley). Para fechar o ciclo temos Lindsay Price como Victory, uma designer que encontra o amor (im)possível em um bilionário (Andrew McCarthy, um clone de Mr. Big), mas banca a Carrie – dificultando o que é simples – quando o assunto é relacionamento.

Um dos problemas da série é a falta perceptível de intimidade entre o elenco feminino. A tarefa de “atriz” fica exclusivamente nas costas de Kim Raver, além de sobrar ao galã Robert Buckey – sempre descamisado e com uma toalha amarrada na cintura – fazer com que o público feminino mantenha-se fiel ao seu abdômen e, consequentemente, ao drama.

Sem as marcas de bolsas e sapatos, objetos de desejo da mulherada, e de um relacionamento mais vivo do grupo de amigas, Lipstick Jungle sobrevive exclusivamente de histórias de mulherzinhas. Mulherzinhas medíocres, com vídas medíocres, com problemas medíocres, em bairros medíocres e amantes… no mínimo, interessantes.

Review: Queime Depois de Ler

sexta-feira, novembro 28th, 2008

Queime Depois de Ler

Após o Oscar conquistado com Onde os Fracos Não Têm Vez, os irmãos Coen voltam com a temática que os consagraram: o humor negro. Com um elenco hollywodiano competente, Queime Depois de Ler é uma comédia irônica afiada, sensível e, como de praxe, imprevisível.

Os atores revelam-se extremamente confortáveis com os exageros particulares de seus personagens. A dupla Brad Pitt e Frances McDormand, como os funcionários de uma academia de ginástica, destacam-se de maneira espetacular. O fato da atriz saber como trabalhar com a dupla de diretores, após todos esses anos, facilita bastante.

No roteiro do thiller cômico, equilibram sarcasmo com a melancolia existencial dos personagens. A história do ex-agente da CIA (John Malkovich) que após escrever suas memórias confidenciais perde o material para uma dupla de chantagistas (Pitt e McDormand) é o mote para propagar a proposta humana do filme – evidente na relação do canastrão George Clooney e Frances McDormand (mais uma vez destacando-se).

Os Coen sabem trabalhar com um humor inteligente, extraindo diálogos elaborados da vida miserável de seus personagens. Por isso, Queime Depois de Ler é algo tão agradável. É mais uma comédia rara no cinema e no currículo dos irmãos.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, EUA, 2008)
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Com: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt, Richard Jenkins. 96 min.

Review: Marnie Stern – ‘This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That’

quarta-feira, novembro 26th, 2008

Marnie Stern - This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is ThatThis Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That, de Marnie Stern, é de uma sonoridade impaciente do início ao fim. Dos riffs de guitarra extremamente poluídos e furiosos, a garota – influenciada por Sleater-Kinney – destila melodias eficientes e empolgantes.

O álbum toma fôlego com a artista rimando ao som de uma percussão discreta nos primeiros minutos da faixa de abertura (“Prime”), mas não demora muito para indicar para o que veio. O trabalho segue num rock surrado e virtuoso, extraído de guitarras nervosas e violentas, encontrando equilíbrio no vocal (inocentemente brutal) de Stern.

Em “Transformer”, diante da cacofonia melódica dos ecos da guitarra e da agilidade da bateria, Marnie canta em alto e bom som “How can I be all these things to you?” (Como eu posso ser todas essas coisas para você?) diante da avalanche de sons que encara. Há momentos como “Ruler” e “Shea Stadium” em que a agressividade nivela-se à facilidade da música pop.

This Is It & I Am It & You Are It & So Is That & He Is It & She Is It & It Is It & That Is That é música iminente, procurando roubar todo o ar necessário do ambiente e colocar qualquer espírito roqueiro esquecido para funcionar.

Dicas de download: “The Crippled Jazzer”, “Transformer” (MP3) e “Ruler” (vídeo)